
Linguagens do cotidiano afrodescendente: estudantes da PUC-Campinas pesquisam sobre crônicas africanas e afro-brasileiras
Atividade no curso de Letras promoveu análise crítica sobre identidade e resistência por meio da obra de autores afro-brasileiros e africanos.
A crônica, em sua capacidade de transformar o efêmero em reflexão profunda, foi o ponto de partida para um estudo intensivo realizado pelos estudantes dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Letras da PUC-Campinas no primeiro semestre de 2025. O projeto “Crônicas africanas e afro-brasileiras: linguagens do cotidiano afrodescendente” propôs um olhar atento sobre como a literatura de autoria negra utiliza o dia a dia para pautar questões de identidade e pertencimento.
Sob a orientação do Prof. Dr. João Paulo Hergesel, no âmbito do componente curricular "Letramentos de Língua Portuguesa: Linguagem e Cotidiano", a iniciativa buscou ampliar o repertório literário dos futuros profissionais das Letras. O foco recaiu sobre a análise das estratégias narrativas e linguísticas que permitem aos autores denunciar o racismo e celebrar a cultura afrodescendente por meio de cenas cotidianas.
Mergulho na identidade e resistência
Para compreender a pluralidade dessas vozes, os estudantes se debruçaram sobre a produção de importantes nomes da literatura. Entre os brasileiros, foram analisadas as obras de Machado de Assis, Cidinha da Silva, Djamila Ribeiro e Paloma Franca Amorim. Representando a rica tradição literária de Angola e Moçambique, o estudo incluiu os autores Pepetela, Ernesto Lara Filho, Ana Paula Tavares e José Craveirinha.
Para além da revisão bibliográfica, a atividade exigiu dos alunos uma interpretação crítica. “Investigar autores como Ana Paula Tavares ou José Craveirinha permite que o estudante perceba a língua portuguesa como um território de disputa e afirmação de existências”, destaca Hergesel. A proposta permitiu identificar como temas complexos, como a exclusão social e a memória afetiva, são tecidos na simplicidade do gênero crônica.
Resultados e formação acadêmica
A metodologia envolveu apresentações e a produção de textos críticos nos quais os alunos debateram temas como o impacto da globalização na juventude angolana e as barreiras invisíveis do preconceito no Brasil. O projeto culminou em uma série de análises que reforçam a importância da literatura afrodescendente na formação de professores e pesquisadores, promovendo um currículo mais plural e atento às questões raciais.
Para os participantes, a experiência consolidou a percepção de que o letramento vai além da norma culta: envolve a sensibilidade de ouvir as vozes que, historicamente, transformaram a resistência em arte e a língua em ferramenta de libertação.
*Este texto contou com auxílio do modelo de inteligência artificial Gemini para síntese e aprimoramento da clareza textual. Todas as informações nele presentes passaram por revisão humana.
.png)